Bom dia pessoal! Trago uma entrevista com Renata Müller, autora do livro Antes de você chegar. Vale destacar que a Renata é uma fofa e adorei entrevistá-la.
Começou justamente pela pergunta mais difícil! (risos) Nós tendemos a nos pensar muitas vezes coisas que não somos e escolhemos ignorar as coisas que realmente somos. Basicamente, sou casada, adoro cachorros, amo escrever e, se eu pudesse, eu faria isso todas as horas do dia. Na minha mente, eu sou escritora primeiro e servidora pública depois, apesar desse segundo ser o que paga as minhas contas.Quando decidiu que queria ser escritora?
Durante uma boa parte da minha vida eu lia compulsivamente. Eu lia tudo que eu conseguia colocar as minhas mãos para ler. Série vagalume, livros paradidáticos, romances clássicos, eu lia de tudo. Uma vez aconteceu de estar lendo um livro infanto-juvenil e pensar: "Eu poderia fazer isso. Eu poderia escrever isso." Por volta da mesma época, uma escritora visitou a escola onde eu estudava e eu percebi que escritores eram pessoas normais. Antes eu tinha um certo endeusamento dos autores, quase como se eu pensasse que os livros nascessem prontos. Isso foi um ponto de mudança na minha vida, mas eu acho que esperei bastante antes de começar a publicar o que eu escrevia.
De onde surgiu a ideia para escrever Antes de você chegar?
Sobre a protagonista, Ana Maria, você se inspirou em alguém para criá-la? Em alguma personagem de um filme, de um livro ou na vida real?Ana Maria é uma coletânea de pessoas que eu já conheci. Eu tinha a tendência a fazer amizade com garotas de comportamento duvidoso (risos). Mas a maneira de ela falar e o jeito que ela avalia as coisas é inspirado em uma garota que eu conheço. O curioso é que ela leu o livro e não sabe disso.
Estamos acostumados com protagonistas boazinhas e sensatas, mas eu li o livro recentemente e queria saber o motivo pelo qual você escolheu uma protagonista fora do comum. Como mesmo está escrito na sinopse ''Uma menina má''?
Incrivelmente, eu gosto de personagens boazinhas. Eu não acho que eu tenha escolhido tornar a Ana Maria "uma menina má", eu também acho que ela não seja uma. Essa expressão foi tirada da própria narração dela, em que ela não se considera uma "boa menina". Quando eu escrevi esse livro, eu usei a ideia do narrador não confiável. Tudo que o leitor sabe sobre a Ana Maria é o que ela conta e na maior parte das vezes a noção dela da realidade está contaminada pela própria visão dela, pelo que ela sentiu e a maneira como ela avaliou determinado evento. Tem muitas coisas que ela não fala, muitas coisas que ela se recusa a pensar e que só aparecem na narrativa quando ela se vê obrigada a pensar sobre aquilo. Por isso ela tem tantas mudanças bruscas na linha de pensamento dela.
Incrivelmente, eu gosto de personagens boazinhas. Eu não acho que eu tenha escolhido tornar a Ana Maria "uma menina má", eu também acho que ela não seja uma. Essa expressão foi tirada da própria narração dela, em que ela não se considera uma "boa menina". Quando eu escrevi esse livro, eu usei a ideia do narrador não confiável. Tudo que o leitor sabe sobre a Ana Maria é o que ela conta e na maior parte das vezes a noção dela da realidade está contaminada pela própria visão dela, pelo que ela sentiu e a maneira como ela avaliou determinado evento. Tem muitas coisas que ela não fala, muitas coisas que ela se recusa a pensar e que só aparecem na narrativa quando ela se vê obrigada a pensar sobre aquilo. Por isso ela tem tantas mudanças bruscas na linha de pensamento dela.
Percebemos ao longo da leitura que os personagens sofrem com a desestruturação familiar. Você quis passar uma mensagem para os leitores sobre isso?
Eu não acho que as pessoas devam ser eternamente reféns de determinados acontecimentos de suas vidas. Todas as pessoas têm um ou outro trauma. Todo mundo já passou por alguma situação difícil. O que eu espero que o leitor compreenda é que você não precisa condicionar toda a sua vida a algo que aconteceu no seu passado. Se há alguma mensagem que eu espero ter passado é a de que vale a pena lutar.
Eu não acho que as pessoas devam ser eternamente reféns de determinados acontecimentos de suas vidas. Todas as pessoas têm um ou outro trauma. Todo mundo já passou por alguma situação difícil. O que eu espero que o leitor compreenda é que você não precisa condicionar toda a sua vida a algo que aconteceu no seu passado. Se há alguma mensagem que eu espero ter passado é a de que vale a pena lutar.
O que é ser escritora pra você? O que você diria para aqueles que querem ser escritores no futuro?
Ser escritor é um pouco como ser um pintor, mas ao invés de tinta nós usamos as palavras. Do mesmo jeito que um pintor procura pela composição perfeita em um quadro, nós procuramos por aquela palavra perfeita, aquele parágrafo perfeito. O problema é que aquilo que está na mente nunca vai ser a mesma coisa que o que está no papel e isso às vezes é frustrante. Ser escritor também é isso, lutar conta a frustração, lutar contra o nosso próprio senso crítico. Meu conselho aos jovens escritores é que vocês tentem ser o mais autênticos o possível. Não escrever de acordo com a "onda", com aquilo que está por cima no momento, porque o que está em cima um dia é o que está por baixo no outro. Se você escrever aquilo que te diga alguma coisa enquanto pessoa, enquanto ser humano, essa é a literatura que perdura.
Obrigada pela entrevista Renata e desejo muito sucesso para você. E, se não for incomodo, deixe uma mensagem para os leitores do blog.
Acho maravilhoso como tantas pessoas têm se interessado por livros e pela leitura. Fico muito feliz por isso e pelo carinho e atenção dos leitores. Eu só tenho a agradecer a todos vocês e também ao blog pela oportunidade de estar conversando com vocês hoje. Muitos beijos!


Oi, tudo bom?
ResponderExcluirPassando para deixar um comentário rsrs
Também quero um dia ser escritora , sonho muito com isso !
Adorei a entrevista :)
Beijos*-*
Território das garotas
http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com.br/
Adoro conhecer mais autores nacionais isso enriquece nossa literatura, queria ter esse dom, em transformar palavras em uma bela história!
ResponderExcluirAmiga tem tag pra vc no blog!
bjkas
http://livrosajaneladaimaginacao.blogspot.com.br/2013/11/tag-especial-trilha-sonora-da-sua-vida.html
Olá! Como vai?
ResponderExcluirGostei bastante da entrevista. A Renata deve escrever bem, afinal, ela escolhe frases tão ótimas - "Ser escritor é um pouco como ser um pintor, mas ao invés de tinta nós usamos as palavras". Não conhecia seu trabalho ainda, e creio que é interessante.
Beijos,
Karol.
http://heykarol.blogspot.com.br/
Oi Jé! Nossa que entrevista maravilhosa. Eu conhecia a obra, mas não muito a autora, e através desta entrevista pude conhece-la e também conhecer um pouco de sua obra. E confesso...estou louca para ler este exemplar. Mais ainda depois desta entrevista. Hahahahaha
ResponderExcluirBeijokas Ana Zuky
Blog Sangue com Amor
Adorei a entrevista e também amei a capa do livro. A autora parece ser muito simpática :)
ResponderExcluirJá estou seguindo aqui. Beijos!
Patricia
experimentandolivros.blogspot.com.br
Oie sua linda, gostei de conhecer um pouco sobre a Renata, até então não tinha lido nada sobre ela, uma pergunta, ela é parente da Deise Muller outra escritora? rsrs
ResponderExcluirO sobrenome é incomum!
Amei a capa do livro, e aguardando a resenha, espero pode ler.
Beliscões carinhosos da Máh ♥
Cantinho da Máh
@Maaria_Silvana
A entrevista foi muito boa, o que ela tenta passar no livro é bonito, e realmente cada pessoa já passou por algo, o que define é não ficar preso no algo. Gostei muito!
ResponderExcluirAiii que tudo a entrevista com a autora. Gostei bastante, parabéns para as duas. Eu adorei cada resposta da Renata e principalmente quando ela fala o que é ser escritora para ela.^^
ResponderExcluirBeijos!
Paloma Viricio-Jornalismo na Alma.